Aparando arestas

domingo, 6 de junho de 2010

Carol

Quisera ser a Carolina do Seu Jorge!

domingo, 18 de abril de 2010

teia

Tenho um vaso de pimentas vermelhas.
Elas me lembram uma boca,
que me lembra desejo
que me lembra um corpo
que me lembra volúpia
que me lembra vulcão
que me lembra calor
que me lembra verão
que me lembra rio de janeiro
que me lembra praia
que me lembra sol
que me lembra sal
que me lembra camarão
que me lembra pimentas vermelhas.

Pão de Batata da Dona Selma

A senhora minha mãe é uma mulher prendadíssima e
tem uma receita de pão de batata que é algo!!!

Anote aí:

1 Kg de batata descascada cozida com
1 colher de sopa de sal
40 gramas de fermento granulado ou
50 gramas de fermento em pasta
1 copo americano de açúcar
1 copo americano de óleo
4 ovos inteiros
1 kg de farinha de trigo

Coloque a farinha em uma tigela ou em uma superfície de mármore.
Faça um buraco no centro e vá despejando todos os outros ingredientes.
Sem medo nem frescura!
Misture tudo muito bem e depois castigue a massa.
Bata, bata, bata muito. Soque e sove até que a massa esteja lisa e uniforme.
Molde os pães como quiser: redondinhos, compridinhos, esculturas pós-contemporâneas... enfim, como achar melhor.
Vá colocando os pães em uma assadeira untada.
Asse até ficarem douradinhos.
Cuidado pra não queimar a bundinha deles!
Retire do forno e pincele com manteiga ou margarina!

Depois é só passar um café e convidar os amigos!

crime hediondo

(...)"Existem tantas esperanças no coração das mulheres que amam!
São necessárias muitas punhaladas para as matar;
elas amam e sangram até o fim".


Balzac em A mulher abandonada

One night stand

Há horas em que a gente só deseja a nossa cama.
Nosso quarto, objetos pessoais e
que falta faz uma escova de dentes...
Entretanto, dormir fora de casa tem suas vantagens.
Há sempre algo a ser descoberto entre as cobertas,
pequenas novidades tão banais na vida de qualquer um e
é nesse instante que a gente se dá de conta de
como as coisas que consumimos nos consomem
a partir do momento em que passam a ser algum tipo de referência pessoal.
O tamanho do seu refrescante bucal em cima da pia do banheiro,
quadros, fotos, estantes... segredos.
Milhões de segredos e a única certeza de que nunca irei descobri-los.
One night stand e nada mais.

Das fossas onde estive

Acabei de acordar e percebi que na desordem da casa, perdi os sapatos e os sentidos. Uma noite longa de sono entorpecido e acordo com frio.
Não tinha antes aqui um braço?
Não reconheço o espaço e de pronto não me lembro quem sou e o que estou fazendo aqui. Uma rápida mirada no espelho traz de volta a recordação que se fez esquecida. Olho, lembro e me lembro de porque o quis esquecer. Talvez esquecendo de mim mesma, possa deixar de lembrar de você. Estou auto-hipnotizada... O corpo entregue ao vazio, um cigarro queimando sozinho entre os dedos e de repente desvendo o mistério da mulher do quadro de Manet... A estufa é essa sala e sei o que ela não sente sentada absorta no não lugar dos seus pensamentos.
Nunca imaginei dizer isso, mas acho que quero minha vida de volta tal qual pensava existir há dez dias atrás. O que eu faço para tê-la de volta? Quero minha vida sem signos orientais, sem barbas e lábios. Quero minha vida só de presente, sem planos e estradas. Sentir saudade é matar e morrer um pouco.
Eu quero um copo d’água, uma lagoa de vodka e 2/3 de ar e se não for querer demais, alguma sensação de paz.

Instante só

Dance, dance, dance

segunda-feira, 1 de março de 2010

mentiras sinceras não me interessam

Só me responde uma coisa? O que eu devo fazer com as juras de amor que você vomitou em mim? Ein?

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

enfrentamento

lay lady i wanna be...

queria escrever sobre o começo do ano:
sobre janeiro e as promessas,
queria dizer umas coisas sobre o tempo também.
acontece que não sei se por preguiça
ou puro sonho,
as palavras me escaparam e em seu lugar,
a voz de bob dylan
(ontem teria sido o marley)
me enternece ao som de lay lady lay.
coisa de férias de verão, pode ser.
muito sol e nostalgia.
muitas chuvas.
divinas gotas de bálsamo.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

saudades... tanto tempo que faz

há noites em que um vento zombeteiro entra soprando pelas janelas, agitando, varrendo e tumultuando tudo o que cruza seu caminho.
à madrugada ele invade meus sonhos,
desorganiza minha loucura e insandece meu caos.
quando isso acontece, eu durmo eu e acordo incógnita.
pela manhã, sigo ressabiada até o banheiro e
não reconheço o rosto inchado que me fita pelo espelho.

"bom dia!"
"bom dia pra você também" mas...
"essa é quem, que não conheço?!"

em dias assim, sinto uma coisa borbulhando cá dentro...
se fico em casa, não recebo visitas e não toca o telefone,
posso findar o dia sem pronunciar palavra:
o mundo acontece mentalmente.
meus olhos se viram pra dentro e subitamente vão surgindo músicas, antigos diálogos, risadas e recordações que me fazem lembrar quem fui.
sigo as pistas pra tentar descobrir quem sou...
e aí eu fico sentindo uma saudade imensa de tudo e todos.
falando desse jeito até parece sensação ruim mas, não é não.
em dias como esse, tenho a chance de me reencontrar com todas as estranhas que já me apareceram no espelho.
com elas eu volto aos lugares onde fui feliz, encontro pessoas e bichos que não verei mais - uns porque já morreram, outros porque desconfio - e todos os que ainda estão bem aqui, ao alcance do meu abraço.
quanta sorte tenho eu do vento não varrer minha memória
e que feliz invenção a fotografia.
a você, que lê agora esses traçados, fica um beijo da estranha de ontem!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

horrores noturnos

- sensações escabrosas começadas com a letra A -

1) apreensão
2) ansiedade
3) angústia
4) afobação
5) arrebatamento
6) asfixia
7) azia
8) antecipação
9) acidulação
10) ardor

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Buba


Buba usando um acessorio da Barbarela.

na relva da selva

Minha irmã e eu, no nosso tempo de infância, brincávamos no chão de barro e ralávamos a bunda e as costas escorregando nos barrancos do quintal. Nossos corpos cheiravam a seiva de árvore antiga, suor de criança e alfazema. Eu tinha medo do escuro e de saci pererê.
Na nossa casa não havia luz elétrica, nem bomba d'água e a televisão vermelha de bateria não pegava porque não havia antena no meio do mato.
Mamãe cozinhava o feijão num fogão a lenha e lavava as louças no poço. A gente não ajudava, mas fazia companhia e ela ria que ria de nossas macaquices.
Quando chovia, nadávamos em poças d'água e pisávamos descalças no chão inundado só pra sentir aquela lama vermelha transbordar por entre os dedos do pé.
À noite nós jogávamos dominó e ouvíamos histórias. Algumas vezes eles contavam, em outras, punham os vinis a tocar.
Nos dias quentes éramos mais felizes. Papai fazia churrasco e bebia cerveja de garrafa; mamãe ligava o rádio, abria uma coca-cola e fumava minister. No gramado recém plantado, nós quatro dançávamos e ríamos e nos refrescávamos com banhos de mangueira.
Nessa época, ninguém tinha telefone em casa. No centrinho da cidade havia um posto telefônico na padaria e era através dele que recebíamos notícias do mundo lá fora. Nosso carro era velho, enguiçava o tempo inteiro e descíamos para empurrar. A gente gostava de andar de onibus porque de alguma forma isso nos tornava importantes.
Nas manhãs de domingo, íamos à pracinha com nosso pai. Na única banca de jornal que havia, comprava seu jornal e nos deixava pegar um gibi – cada uma escolhia o seu. Às vezes voltávamos direto pra casa, loucas pra ler nossas revisitinhas, lado a lado, cada uma na sua cama. Em alguns dias, a mamãe também ia e então passávamos mais tempo e eles nos levavam ao parquinho.
Eu sou do tempo em que as pessoas deixavam as portas destrancadas, em que um corte de tecido era um bom presente, em que as meninas colecionavam papel de carta, que os documentos eram escritos à maquina de escrever, que fax era artigo ultra-moderno, que as mercearias tinham o caderninho de fiado e todo mundo pagava.
Clonagem e chamadas por video fone eram ficção científica e antena parabólica era o crème de la crème das transmissões televisionadas.
Engraçado como parece que falo de um tempo tão distante, quase ouço a minha avó contando as narrativas dela...
Um dia eu acordei e levei um susto: eu era adulta, morava em outro lugar e conversava com meu pai pelo messenger. Ele usando um blackberry...
é bom ver que as coisas mudam mas... às vezes sinto falta de ter medo do escuro, do camundá e do saci pererê porque hoje os monstros me parecem mais terríveis.

sábado, 5 de setembro de 2009

empreendimentos imaginários

casa da abóbora:



um café-restaurante que vende todos os tipos de alimentos feitos com abóbora. zilhões de possibilidades...


a cozinha do estabelecimento

terça-feira, 25 de agosto de 2009

sábado, 8 de agosto de 2009

la dolce vita

Por que sexta e não quinta?
Por que quinta e não quarta?
Há dia certo pra ser feliz?
As ressacas de domingo são mais custosas que as de terça?
Além do preço do ingresso,
há diferença entre ir ao cinema
às segundas e não aos sábados?!
Sempre há motivo pra rir e chorar,
todo dia é dia de trabalhar,
qualquer dia pode se tornar um dia de folga,
pra fazer festa não preciso de motivo,
cerveja gelada só troco por boldo,
solidão é um estado de espírito,
alegrias súbitas são as melhores,
dois é melhor que um e
três melhor que dois.
Perto e longe, junto ou separado,
depende do momento e varia de acordo com o fato.

A terra gira, o tempo passa e tudo se transforma.
Varia a inflação, os humores, as pessoas e os desejos.
Tudo muda, a moda vai e volta mas
há o que permaneça intangível, inalterado e imprescindível.

Para que a vida continue doce só espero
que não faltem sonhos, amigos, altas doses de otimismo
e biscoito de maizena com café.

a insônia de alice

Era madrugada de terça-feira e Alice acordou esquisitíssima.

Abriu os olhos às 2:45 da manhã e não conseguiu mais pegar no sono.
No escuro de seu quarto, as paredes emanavam calor e absolutamente tudo a incomodava.
O corpo formigava, os lençóis esquentavam demais, a sensação do corpo descoberto a pertubava, o barulho do ventilador era insurpotável e o silêncio completo, avassalador.
Levantou-se às 03:30h, tomou um banho, bebeu chá, trocou a roupa de cama, deitou-se novamente.Apagou a luz e fechou os olhos. Virou para o lado esquerdo, depois para o direito, ficou de bruços, de costas e mudou de lugar os travesseiros. Não conseguia dormir.
Acendeu a luz do abajour, abriu os olhos, pegou um livro, começou a ler e na quinta vez em que seus olhos percorreram o mesmo parágrafo, deu-se conta da falta de concentração.
Resignada, fechou o livro, desligou o abajour, virou de lado e cerrou os olhos. Fazia calor.
Tentou desvencilhar-se da incômoda sensação térmica imaginando uma imensa geleira. Não funcionou. Tornou a ligar o abajour, descobriu-se, levantou-se, ligou o ventilador, deitou-se na cama, cobriu-se com o edredom de malha vermelho, desligou o abajour e fechou os olhos.
Sentiu frio. Enfiou a cabeça sob a coberta para que sua própria respiração aquecesse o corpo e ainda o frio. Relutou por um tempo mas foi vencida pela sensação do corpo gelado.
Abriu os olhos, descobriu o corpo, ligou o abajour, levantou-se, desligou o ventilador, deitou-se de costas, cobriu-se, desligou o abajour, fechou os olhos e sentiu-se confortável.
Varreu da cabeça todos os pensamentos, sons e imagens. Sentiu-se relaxada finalmente. Quando estava quase conseguindo pegar no sono, ouviu o desagradável zunido de um mosquito. Fez um gesto com a mão e o espantou. Ele voltava, ela repetia o movimento e ele partia. Permaneceram no duelo por 20 minutos: o insistente mosquito a visitar-lhe as orelhas e ela a se estapear. Tão aturdida estava que, mais uma vez ligou o abajour, levantou-se, foi até o banheiro, abriu o armário mas não encontrou o inseticida. Voltou para o quarto, abriu o guarda-roupas, procurou a caixa de remédio e achou um repelente. Passou o produto pelo pescoço, rosto e reforçou a aplicação nas orelhas. Guardou o pote na caixa e a devolveu ao guarda-roupas. Fechou a porta do quarto, deitou-se na cama, cobriu-se com o edredom de malha vermelho, apagou o abajour, virou para o lado esquerdo, fechou os olhos e por um minuto esperou pela visita do mosquito. Não tornou a zunir. Acalmou-se. Pensou no mar, nas ondas, visualizou a cor verde, respirou azul, contou carneiros imaginários, mentalizou uma tela branca, depois uma preta. Mergulhou no mais profundo abismo que sua mente fora capaz de criar.
Adormeceu finalmente às 7:40h. O relógio a despertou às 08h.

Era manhã de quarta-feira e Alice acordou esquisitíssima.