Aparando arestas
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sábado, 18 de setembro de 2010

Rebarbas do cotidiano

A chuva que cai ali fora;
A iluminação fraquíssima da rua;
O quadro dos Beatles do vizinho ali da frente;
O porteiro do prédio recolhendo as lixeiras vazias;
A noite cinza e preta de um céu sem estrelas nem lua;
O vento gelado que sopra do mar;
A brecha curvilínea da janela que proporciona essa vista.
Tudo isso agita acalmando.
Acalma o corpo e atiça o resto.
Todo o vasto e ininteligível aglomerado de
sonhos, pensamentos, desejos, ímpetos e sensações
que vulgarmente chamo de resto.

domingo, 6 de junho de 2010

Carol

Quisera ser a Carolina do Seu Jorge!

domingo, 18 de abril de 2010

teia

Tenho um vaso de pimentas vermelhas.
Elas me lembram uma boca,
que me lembra desejo
que me lembra um corpo
que me lembra volúpia
que me lembra vulcão
que me lembra calor
que me lembra verão
que me lembra rio de janeiro
que me lembra praia
que me lembra sol
que me lembra sal
que me lembra camarão
que me lembra pimentas vermelhas.

segunda-feira, 1 de março de 2010

mentiras sinceras não me interessam

Só me responde uma coisa? O que eu devo fazer com as juras de amor que você vomitou em mim? Ein?

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

lay lady i wanna be...

queria escrever sobre o começo do ano:
sobre janeiro e as promessas,
queria dizer umas coisas sobre o tempo também.
acontece que não sei se por preguiça
ou puro sonho,
as palavras me escaparam e em seu lugar,
a voz de bob dylan
(ontem teria sido o marley)
me enternece ao som de lay lady lay.
coisa de férias de verão, pode ser.
muito sol e nostalgia.
muitas chuvas.
divinas gotas de bálsamo.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

saudades... tanto tempo que faz

há noites em que um vento zombeteiro entra soprando pelas janelas, agitando, varrendo e tumultuando tudo o que cruza seu caminho.
à madrugada ele invade meus sonhos,
desorganiza minha loucura e insandece meu caos.
quando isso acontece, eu durmo eu e acordo incógnita.
pela manhã, sigo ressabiada até o banheiro e
não reconheço o rosto inchado que me fita pelo espelho.

"bom dia!"
"bom dia pra você também" mas...
"essa é quem, que não conheço?!"

em dias assim, sinto uma coisa borbulhando cá dentro...
se fico em casa, não recebo visitas e não toca o telefone,
posso findar o dia sem pronunciar palavra:
o mundo acontece mentalmente.
meus olhos se viram pra dentro e subitamente vão surgindo músicas, antigos diálogos, risadas e recordações que me fazem lembrar quem fui.
sigo as pistas pra tentar descobrir quem sou...
e aí eu fico sentindo uma saudade imensa de tudo e todos.
falando desse jeito até parece sensação ruim mas, não é não.
em dias como esse, tenho a chance de me reencontrar com todas as estranhas que já me apareceram no espelho.
com elas eu volto aos lugares onde fui feliz, encontro pessoas e bichos que não verei mais - uns porque já morreram, outros porque desconfio - e todos os que ainda estão bem aqui, ao alcance do meu abraço.
quanta sorte tenho eu do vento não varrer minha memória
e que feliz invenção a fotografia.
a você, que lê agora esses traçados, fica um beijo da estranha de ontem!

sábado, 8 de agosto de 2009

la dolce vita

Por que sexta e não quinta?
Por que quinta e não quarta?
Há dia certo pra ser feliz?
As ressacas de domingo são mais custosas que as de terça?
Além do preço do ingresso,
há diferença entre ir ao cinema
às segundas e não aos sábados?!
Sempre há motivo pra rir e chorar,
todo dia é dia de trabalhar,
qualquer dia pode se tornar um dia de folga,
pra fazer festa não preciso de motivo,
cerveja gelada só troco por boldo,
solidão é um estado de espírito,
alegrias súbitas são as melhores,
dois é melhor que um e
três melhor que dois.
Perto e longe, junto ou separado,
depende do momento e varia de acordo com o fato.

A terra gira, o tempo passa e tudo se transforma.
Varia a inflação, os humores, as pessoas e os desejos.
Tudo muda, a moda vai e volta mas
há o que permaneça intangível, inalterado e imprescindível.

Para que a vida continue doce só espero
que não faltem sonhos, amigos, altas doses de otimismo
e biscoito de maizena com café.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

crise


Eu me chamo trinta e estou completamente falida.
Perdi o emprego, a vida social, o respeito da minha família e alguns quilos.
Meu guarda-roupa não me serve mais e o que serve está um lixo.
Perdi a dignidade e a noção de quanto tempo faz que aconteceu tudo isso.
O lado bom dessa crise é que eu também perdi o medo, as lágrimas e a vergonha na cara.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

love stinks

Hoje vi uma coisa que me fez pensar que
o amor alheio quando revelado publicamente,
os olhos recalcados, incomoda e
as narinas sensíveis simplesmente faz arder.
O amor alheio às vezes fede.
Admitir isso pra si mesmo é custoso,
admitir publicamente pode ser humilhante e depõe contra.
Trabalhar o ressentimento não é para todos,
superá-lo menos ainda.

love stinks

domingo, 5 de julho de 2009

sábado, 16 de maio de 2009

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Sobre o tédio

Não penso coisa com coisa nenhuma.
Alguns devaneios e goles a mais
na tentativa de espantar o tédio...
Noite sem brisa e companhia...
Não sei o que fazer,
o que vestir, o que comer...
Noite abafada...
Sem ar, sem sal, sem sabor ou (dis)sabor.
Estou sem nada, zerada:
sem idéias, sem ventilador, sem grana,
sem saco e não tem ninguém aqui na cama...
Que lama. Que mala...
Ai, pára