Aparando arestas

segunda-feira, 1 de março de 2010

mentiras sinceras não me interessam

Só me responde uma coisa? O que eu devo fazer com as juras de amor que você vomitou em mim? Ein?

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

enfrentamento

lay lady i wanna be...

queria escrever sobre o começo do ano:
sobre janeiro e as promessas,
queria dizer umas coisas sobre o tempo também.
acontece que não sei se por preguiça
ou puro sonho,
as palavras me escaparam e em seu lugar,
a voz de bob dylan
(ontem teria sido o marley)
me enternece ao som de lay lady lay.
coisa de férias de verão, pode ser.
muito sol e nostalgia.
muitas chuvas.
divinas gotas de bálsamo.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

saudades... tanto tempo que faz

há noites em que um vento zombeteiro entra soprando pelas janelas, agitando, varrendo e tumultuando tudo o que cruza seu caminho.
à madrugada ele invade meus sonhos,
desorganiza minha loucura e insandece meu caos.
quando isso acontece, eu durmo eu e acordo incógnita.
pela manhã, sigo ressabiada até o banheiro e
não reconheço o rosto inchado que me fita pelo espelho.

"bom dia!"
"bom dia pra você também" mas...
"essa é quem, que não conheço?!"

em dias assim, sinto uma coisa borbulhando cá dentro...
se fico em casa, não recebo visitas e não toca o telefone,
posso findar o dia sem pronunciar palavra:
o mundo acontece mentalmente.
meus olhos se viram pra dentro e subitamente vão surgindo músicas, antigos diálogos, risadas e recordações que me fazem lembrar quem fui.
sigo as pistas pra tentar descobrir quem sou...
e aí eu fico sentindo uma saudade imensa de tudo e todos.
falando desse jeito até parece sensação ruim mas, não é não.
em dias como esse, tenho a chance de me reencontrar com todas as estranhas que já me apareceram no espelho.
com elas eu volto aos lugares onde fui feliz, encontro pessoas e bichos que não verei mais - uns porque já morreram, outros porque desconfio - e todos os que ainda estão bem aqui, ao alcance do meu abraço.
quanta sorte tenho eu do vento não varrer minha memória
e que feliz invenção a fotografia.
a você, que lê agora esses traçados, fica um beijo da estranha de ontem!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

horrores noturnos

- sensações escabrosas começadas com a letra A -

1) apreensão
2) ansiedade
3) angústia
4) afobação
5) arrebatamento
6) asfixia
7) azia
8) antecipação
9) acidulação
10) ardor

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Buba


Buba usando um acessorio da Barbarela.

na relva da selva

Minha irmã e eu, no nosso tempo de infância, brincávamos no chão de barro e ralávamos a bunda e as costas escorregando nos barrancos do quintal. Nossos corpos cheiravam a seiva de árvore antiga, suor de criança e alfazema. Eu tinha medo do escuro e de saci pererê.
Na nossa casa não havia luz elétrica, nem bomba d'água e a televisão vermelha de bateria não pegava porque não havia antena no meio do mato.
Mamãe cozinhava o feijão num fogão a lenha e lavava as louças no poço. A gente não ajudava, mas fazia companhia e ela ria que ria de nossas macaquices.
Quando chovia, nadávamos em poças d'água e pisávamos descalças no chão inundado só pra sentir aquela lama vermelha transbordar por entre os dedos do pé.
À noite nós jogávamos dominó e ouvíamos histórias. Algumas vezes eles contavam, em outras, punham os vinis a tocar.
Nos dias quentes éramos mais felizes. Papai fazia churrasco e bebia cerveja de garrafa; mamãe ligava o rádio, abria uma coca-cola e fumava minister. No gramado recém plantado, nós quatro dançávamos e ríamos e nos refrescávamos com banhos de mangueira.
Nessa época, ninguém tinha telefone em casa. No centrinho da cidade havia um posto telefônico na padaria e era através dele que recebíamos notícias do mundo lá fora. Nosso carro era velho, enguiçava o tempo inteiro e descíamos para empurrar. A gente gostava de andar de onibus porque de alguma forma isso nos tornava importantes.
Nas manhãs de domingo, íamos à pracinha com nosso pai. Na única banca de jornal que havia, comprava seu jornal e nos deixava pegar um gibi – cada uma escolhia o seu. Às vezes voltávamos direto pra casa, loucas pra ler nossas revisitinhas, lado a lado, cada uma na sua cama. Em alguns dias, a mamãe também ia e então passávamos mais tempo e eles nos levavam ao parquinho.
Eu sou do tempo em que as pessoas deixavam as portas destrancadas, em que um corte de tecido era um bom presente, em que as meninas colecionavam papel de carta, que os documentos eram escritos à maquina de escrever, que fax era artigo ultra-moderno, que as mercearias tinham o caderninho de fiado e todo mundo pagava.
Clonagem e chamadas por video fone eram ficção científica e antena parabólica era o crème de la crème das transmissões televisionadas.
Engraçado como parece que falo de um tempo tão distante, quase ouço a minha avó contando as narrativas dela...
Um dia eu acordei e levei um susto: eu era adulta, morava em outro lugar e conversava com meu pai pelo messenger. Ele usando um blackberry...
é bom ver que as coisas mudam mas... às vezes sinto falta de ter medo do escuro, do camundá e do saci pererê porque hoje os monstros me parecem mais terríveis.

sábado, 5 de setembro de 2009

empreendimentos imaginários

casa da abóbora:



um café-restaurante que vende todos os tipos de alimentos feitos com abóbora. zilhões de possibilidades...


a cozinha do estabelecimento

terça-feira, 25 de agosto de 2009

sábado, 8 de agosto de 2009

la dolce vita

Por que sexta e não quinta?
Por que quinta e não quarta?
Há dia certo pra ser feliz?
As ressacas de domingo são mais custosas que as de terça?
Além do preço do ingresso,
há diferença entre ir ao cinema
às segundas e não aos sábados?!
Sempre há motivo pra rir e chorar,
todo dia é dia de trabalhar,
qualquer dia pode se tornar um dia de folga,
pra fazer festa não preciso de motivo,
cerveja gelada só troco por boldo,
solidão é um estado de espírito,
alegrias súbitas são as melhores,
dois é melhor que um e
três melhor que dois.
Perto e longe, junto ou separado,
depende do momento e varia de acordo com o fato.

A terra gira, o tempo passa e tudo se transforma.
Varia a inflação, os humores, as pessoas e os desejos.
Tudo muda, a moda vai e volta mas
há o que permaneça intangível, inalterado e imprescindível.

Para que a vida continue doce só espero
que não faltem sonhos, amigos, altas doses de otimismo
e biscoito de maizena com café.

a insônia de alice

Era madrugada de terça-feira e Alice acordou esquisitíssima.

Abriu os olhos às 2:45 da manhã e não conseguiu mais pegar no sono.
No escuro de seu quarto, as paredes emanavam calor e absolutamente tudo a incomodava.
O corpo formigava, os lençóis esquentavam demais, a sensação do corpo descoberto a pertubava, o barulho do ventilador era insurpotável e o silêncio completo, avassalador.
Levantou-se às 03:30h, tomou um banho, bebeu chá, trocou a roupa de cama, deitou-se novamente.Apagou a luz e fechou os olhos. Virou para o lado esquerdo, depois para o direito, ficou de bruços, de costas e mudou de lugar os travesseiros. Não conseguia dormir.
Acendeu a luz do abajour, abriu os olhos, pegou um livro, começou a ler e na quinta vez em que seus olhos percorreram o mesmo parágrafo, deu-se conta da falta de concentração.
Resignada, fechou o livro, desligou o abajour, virou de lado e cerrou os olhos. Fazia calor.
Tentou desvencilhar-se da incômoda sensação térmica imaginando uma imensa geleira. Não funcionou. Tornou a ligar o abajour, descobriu-se, levantou-se, ligou o ventilador, deitou-se na cama, cobriu-se com o edredom de malha vermelho, desligou o abajour e fechou os olhos.
Sentiu frio. Enfiou a cabeça sob a coberta para que sua própria respiração aquecesse o corpo e ainda o frio. Relutou por um tempo mas foi vencida pela sensação do corpo gelado.
Abriu os olhos, descobriu o corpo, ligou o abajour, levantou-se, desligou o ventilador, deitou-se de costas, cobriu-se, desligou o abajour, fechou os olhos e sentiu-se confortável.
Varreu da cabeça todos os pensamentos, sons e imagens. Sentiu-se relaxada finalmente. Quando estava quase conseguindo pegar no sono, ouviu o desagradável zunido de um mosquito. Fez um gesto com a mão e o espantou. Ele voltava, ela repetia o movimento e ele partia. Permaneceram no duelo por 20 minutos: o insistente mosquito a visitar-lhe as orelhas e ela a se estapear. Tão aturdida estava que, mais uma vez ligou o abajour, levantou-se, foi até o banheiro, abriu o armário mas não encontrou o inseticida. Voltou para o quarto, abriu o guarda-roupas, procurou a caixa de remédio e achou um repelente. Passou o produto pelo pescoço, rosto e reforçou a aplicação nas orelhas. Guardou o pote na caixa e a devolveu ao guarda-roupas. Fechou a porta do quarto, deitou-se na cama, cobriu-se com o edredom de malha vermelho, apagou o abajour, virou para o lado esquerdo, fechou os olhos e por um minuto esperou pela visita do mosquito. Não tornou a zunir. Acalmou-se. Pensou no mar, nas ondas, visualizou a cor verde, respirou azul, contou carneiros imaginários, mentalizou uma tela branca, depois uma preta. Mergulhou no mais profundo abismo que sua mente fora capaz de criar.
Adormeceu finalmente às 7:40h. O relógio a despertou às 08h.

Era manhã de quarta-feira e Alice acordou esquisitíssima.

domingo, 26 de julho de 2009

sábado, 25 de julho de 2009

Gatinhos do Ingá

A lista dos gatinhos do bairro
há tempos anda defasada.

O Robert de Niro da banca de jornal
na Presidente Pedreira,
simplesmente desapareceu.
Deve ter se mudado em
definitivo para Hollywood.

O recepcionista blasée do salão da
Visconde de Morais
não trabalha mais no estabelecimento.
O enigmático rapaz que tinha ares de ambição,
a essa hora deve gerenciar um desses "w" chicosos:
Werner's ou Walter's coiffeur.

E o garçom chuchu da pensãozinha?!
Aaaaaa. Uma pena!
Mas é difícil almoçar lá em vida pós-universitária.
Falta companhia, coragem e disposição para ingerir
o combinado de gordura e euforia "calourística".
Ainda o vejo de vez em quando.
Belo e esporádico passando pela rua
em sua bicicletinha amarela:
bermuda, havaianas e cabelos ao vento.

Restam os irmãos Jóia na Tiradentes.
Ao menos uma vez por semana,
pãezinhos, pó de café - ou qualquer outro
item essencial à minha despensa -
me servem de pretexto para ir no mercadinho.
No caminho, sigo torcendo para que 1 deles esteja lá.
Com sorte, encontro os 2
e me decepciono quando é o turno do pai.

A lista precisa se renovar.

Há cerca de dois meses, portando
comprovantes de residência,CPF e carteira de identidade,
entrei na locadora da Paulo Alves.
Fiz uma ficha e de lambuja obtive a
adesão de mais um membro ao clube.
A caminho do Sendas, faço questão de
passar naquela calçada na intenção de,
através da vidraça, conseguir fitá-lo.

Ontem o moço da locadora que,
há mais de 1 mês liderava o ranking,
perdeu o posto para o funcionário dos correios
no outro lado da rua.
Mudei de calçada a caminho do Sendas.

O ragazzo dos correios além de conquistar
o mais alto patamar da lista,
arrebatou meu coração.

Branco, magro, nem alto nem baixo.
Cabelo castanho, meio arrepiado,
um par de olhos irresistíveis e
uma boca incrivelmente cativante.
Na mão direita, dedo anelar, um anel suspeito.
É apenas um anel, tem que ser só isso.
Não tem jeito de noivo e estou certa de que
divide seu tempo entre o guichê nº 2 e
alguma outra atividade.
Por trás de carimbos e selos,
pitadas de humor e descontração
atípicas em pessoas que
desempenham esse tipo de trabalho.
Pode ser que seja músico, desenhista,
estudante de comunicação ou poeta.
Talvez não faça nada disso,
talvez seja apenas concursado e ponto.

Pena que hoje é sábado.
Estava disposta a passear pela Paulo Alves
e convidar o gatinho para carimbar
correspondências aqui em casa.

Pode ser que um dia eu tenha o devido atrevimento de
informa-lhe que ele foi o vencedor do
Ingá's Kitten Competition e que seu prêmio o aguarda
na segunda porta à direita
do apto 301 na Hernani Mello.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Dr. M., la la I love you

Não, eu não consigo desistir do amor romântico.
Não, eu não consigo.
Eu tento, tento, tento
tento novamente e quando começo a endurecer,
eis que surgem corações cor de rosa na calçada.
Amoleço, tropeço e caio de cabeça.

Costumava achar dentistas meio patéticos e
seus consultórios completamente repulsivos.
Entretanto, depois de um tratamento dentário
que está durando mais de 6 meses,
começo a entender porque algumas mulheres
traem os maridos com essas figuras.

Hoje eu dedico meu coração ao meu dentista.
Não é bonito, não tem aproach,
meio pançudo e coisa e tal.
Ai, não sei...
Alguma coisa nele mexe comigo.

Estou tratando o último dente inferior e
o acesso não é muito fácil.
A cadeira fica muito enclinada pra trás e
minha cabeça meio encostada em seu peito.
É tão perto que se não fosse o
maldito barulho daquele motorzinho,
poderia ouvir seu coração batendo.

Dia desses deitada lá ao som de
minnie riperton cantando loving you,
não resisti e me apaixonei.

Num dos raros momentos em que consigo abrir os olhos,
vi que seu rosto estava completamente respingado
de coisas saídas da minha boca.
De alguma forma, aquilo me comoveu e excitou.
Provavelmente porque eu mesma teria nojo daqueles
respingos - ainda que fossem meus.
Ele não. Ele não tem nojo, não tem medo e
não me deixa sentir medo.
Ao contrário, sua voz é suave e sedutora.
Não importando o que ele fala, suas palavras
saem mansas e doces em tom de incentivo:
"agora abre a boquinha pra mim, bem grande"
"segura aqui pra mim (o sugador)
iiiisssssoooo, assim tá ótimo!"
"tá doendo? então eu vou mais devagar"
"vai lá, cospe com vontade".

Como se não bastasse esse conteúdo erótico,
ainda tem os momentos em que cuidadosamente,
apóia uma das mãos no meu maxilar...
e eu fico ali...
deitada de boca aberta e olhos fechados;
minha cabeça em seu colo e
seus dedos vez ou outra a passear pelos meus lábios.
Sonho coisas que ele seria incapaz de imaginar e
vou ao delírio quando, ao fim da sessão,
ele limpa meu rosto com um lenço de papel.
Uma carícia sutil para finalizar o extenuante encontro.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

escolhas

Estou encurralada entre o muro de chapisco e o arame farpado;
Dividida entre a cruz e a espada.
Os campos estão floridos, é verdade. Mas andar descalça sobre coroas de cristo e roseirais é... complicado.
O que têm me oferecido varia entre a titica e a bosta, e acabo trocando 6 por 1/2 dúzia quase sempre...
Torço para que não tarde a chegar o dia em que as opções variem entre boas, muito boas ou maravilhosas.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

o lago


esse é um extinto lago na minha antiga casa. Foram-se os peixes, ficaram as lembranças...

quarta-feira, 8 de julho de 2009

crise


Eu me chamo trinta e estou completamente falida.
Perdi o emprego, a vida social, o respeito da minha família e alguns quilos.
Meu guarda-roupa não me serve mais e o que serve está um lixo.
Perdi a dignidade e a noção de quanto tempo faz que aconteceu tudo isso.
O lado bom dessa crise é que eu também perdi o medo, as lágrimas e a vergonha na cara.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Pendências

Quero encontrar nos próximos dias:

1) o nome da música do comercial do rexona naturals,
2) uma receita de bolo de laranja que não sole;
3) solução para o meu bruxismo;
4) o endereço de um bom curandeiro;
5) um par de sapatos novos (em liquidação);
6) o telefone do Hugh Jackman;
7) uma mala sem dono repleta de dólares;
8) yoga grátis
9) meu anel de madeira que perdi
10)remédio pra nevralgia intelectual e disritimia espiritual.

love stinks

Hoje vi uma coisa que me fez pensar que
o amor alheio quando revelado publicamente,
os olhos recalcados, incomoda e
as narinas sensíveis simplesmente faz arder.
O amor alheio às vezes fede.
Admitir isso pra si mesmo é custoso,
admitir publicamente pode ser humilhante e depõe contra.
Trabalhar o ressentimento não é para todos,
superá-lo menos ainda.

love stinks