Aparando arestas

segunda-feira, 9 de março de 2009

Discrição


Cúpula de abajour-
Tok Stok: R$99,00.

Conjunto de calça e camisa-
Richards: R$220,00.

Cinto vermelho-
Gucci: R$300,00.
Drink caseiro: R$8,00.

Ver a carinha do seu marido
ao se deparar com Ricardo...
Isso não tem preço!

quarta-feira, 4 de março de 2009

Imagens

Começo a crer que ficção e realidade são
duas formas de percepção factual e,
que todos nós, ao menos uma vez ao longo de
nossas jornadas, já nos confundimos com o sentido dos fatos.

O que são as mentiras que não a construção de
uma outra verdade ainda que pretensa, imaginada?!

A vida imita a arte ou seria ela um rascunho
da vida que verdadeiramente gostaríamos de ter?!
Falta tempero? Cor? O que é isso que falta?
Um pouco de fantasia pra passar
a limpo a realidade?!
Será?!

O que são os sonhos?
Inconsciente ou conscientemente,
não seriam tentativas de escamotear a realidade?!
Uma possibilidade de experimentar um
conto, uma história...
Será?!

Um desejo de temperar com melodrama
os almoços de domingo em família.
De colorir com tinta pura o trajeto até o trabalho,
de colecionar momentos pinçados na rua e
combiná-los com um pouco de música
só para poder ficar montando tudo depois...

Às vezes tenho a sensação de que
carrego comigo, uma videoteca de babel ...

Cão voyeur?!

terça-feira, 3 de março de 2009

Merengue de morango

Ingredientes:
1 caixa. de morangos
1 pacote de suspiro
chantilly

Modo de preparo:
1. Corte os morangos em rodelas e reserve
2. Bata o creme chantilly no liquidificador, e quebre em pedaços o suspiro
3. Numa tigela coloque uma camada de chantilly,uma camada de suspiro e uma camada de morangos sucessivamente
4. Cubra com chantilly e cubra com um morango inteiro

Dona Trinta per si: Una mujer animalesca

Sou uma cigarra gigante que fala e não canta,
que vadia e não trabalha,
que voa sem sair do lugar.
Sou afeita a doces, noite e mudanças: formiga, morcego, camaleão.
Pela manhã, bafo de tigre e um quê de pata-choca.
Tenho juba de leão, barriguinha de baleia,
memória de elefante pra certas coisas, de peixe pra outras.
Ora ou outra me acho uma besta, uma jumenta, uma anta!
Quando irritada, solto cobras e lagartos.
Dependendo do dia, posso me arrastar feito lesma ou
correr como um leopardo.
Dos cachorros, eu tenho as patadas e a lealdade.
Quando fico triste, rumino pensamentos até ficar com o olhar bovino.
Do nome, mansa como ovelha e do horóscopo chinês, rato.
Em dias chuvosos, ataco de bicho preguiça e
enfrentar filas me deixa uma arara, um siri na lata.
Na verdade, disse muito, mas o que realmente queria descobrir é o
pulo do gato.

segunda-feira, 2 de março de 2009

O Nascimento da Dona Trinta

Era uma belíssima e ensolarada manhã de domingo.
O céu estava azul claro, sem nuvens e
ela, sozinha em casa,
tomava o café sem pressa alguma.

Sentada no sofá encostado à janela,
sentia o calor dos raios de sol sobre
seus ombros enquanto lia o jornal.

"Feriado no Rio de Janeiro: dia da fundação da cidade", anunciava uma manchete.
Sentiu um rebuliço por dentro ao se dar conta de que, a famosa rua do CCBB,
lugar que tanto freqüentara quando jovem,
"chama-se primeiro de março porque esse é o
dia do aniversário da cidade do Rio de Janeiro..."

Por um momento parou,
levantou-se do sofá,
pegou um cigarro e um isqueiro.
Apoiou os cotovelos na janela e deu a primeira baforada.
Pensativa, olhou sem foco para o horizonte e
imaginou como seria se ao invés de seu nome,
fosse chamada por uma data,
pela data do próprio nascimento.

Resoluta, foi até o quarto e fez as malas.
Levava o essencial à sua sobrevivência, nada que
a identificasse ou lhe suscitasse recordações.
Abriu a gaveta da escrivaninha,
pegou uma caixa onde guardava seus documentos e
uma grande tesoura de metal.
Um a um, retalhou todos os papéis onde pudesse ser lido seu nome.

Saiu de casa sem rumo, deixando as janelas abertas e
as chaves pelo lado de fora da porta.
Viajou o dia inteiro e estava exausta quando
resolveu que era hora de descansar.

Entrou em um motel à beira da estrada.
Algo decadente e simpático,
assim como a mulher que a recebia e
perguntara seu nome não porque precisava de uma ficha,
e sim por pura maroquisse.
“Sinta-se à vontade, dona...”
“Dona Trinta.
Eu me chamo Trinta de Julho da Silva Jardim.
Prazer em conhece-la”.

A recepcionista fitou-lhe os olhos, entregou-lhe uma chave e não disse palavra.
Dona Trinta subiu as escadas, entrou no quarto, despiu-se, deitou-se na cama e adormeceu tranqüilamente.

Receita para desjejum

Receita para um bom desjejum:
Café quente,
Pão fresco,
Manteiga fria
E uma mesa para dois,
três ou quantos forem
os amores da sua vida...

As faces de Trinta


Dona Trinta pode ser qualquer uma...
Pode ser qualquer coisa...
Pode ser que tenha um pouco de você também...

domingo, 1 de março de 2009

Sobre os regidos pelo sol

No fundo, no fundo o que realmente incomoda é
o dar-se conta da efemeridade dos instantes e
da tênue e invisível linha que sustenta o brilho
e a capa de irresistibilidade...

No fundo, no fundo o que dói é saber que
talvez não sejam tão irresistíveis,
inesquecíveis quanto se pensavam.
No fundo no fundo, mesmo que neguem,
não é questão de coração, é de ego.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

memories

alguns dos momentos em que fui feliz e ... eu sabia.


reveilão (morrice atrás da lente)

celebrando um quarto de século


saindo da praia


criadoras e critauras


atrás da lente, na 25 de março


a caminho da labuta


brincando de infância com a minha avó e minha irmã

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Sobre o tédio

Não penso coisa com coisa nenhuma.
Alguns devaneios e goles a mais
na tentativa de espantar o tédio...
Noite sem brisa e companhia...
Não sei o que fazer,
o que vestir, o que comer...
Noite abafada...
Sem ar, sem sal, sem sabor ou (dis)sabor.
Estou sem nada, zerada:
sem idéias, sem ventilador, sem grana,
sem saco e não tem ninguém aqui na cama...
Que lama. Que mala...
Ai, pára

domingo, 11 de novembro de 2007

A fauna que inspira o povo

A porca vai torcer o rabo!
Pode tirar o seu cavalinho da chuva...
Mas nem que a vaca tussa,
que a galinha crie dente,
que a cobra fume!!!
Teimoso feito uma mula,
bebe feito gambá e paga mico.
Tem memória de elefante e
olhos de águia.
Aquele traíra...
Baleia, piranha, galinha, vaca! Dragão!
Ele é boi. Patinho... Macaco de auditório...
É gatinho, mas também é burro... uma anta!
Porco... Ela também, uma porca!
São uns animais, umas víboras!
Fico todo ouriçado só de pensar...
Ah! Vai pentear macaco!!!

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Coisas de embalar o sono

Chá de camomila forte e com açúcar
Cafuné de pai
Cheiro de roupa limpa
Chuva na janela
Banho morno
Meia-luz
Dramin
Frio
Balanço de rede
Cama macia
Contos de fadas.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Com categoria e elegância chegará ao topo!

Foi uma dura gestação.
Depois de longos e dolorosos meses lendo e
sendo obrigada a escrever sobre melodrama,
ao final de um ano e três meses, pariu uma monografia.
Ela tinha cara de excesso, repetição, flashback e antecipação.
Tinha cheiro de desespero, euforia, medo e liberdade.
Não tinha cabelos e as unhas eram curtíssimas.
Foi um belo nascimento.
Como toda mãe, sentiu orgulho da cria e
deu graças a deus porque era só
um amarradinho de papel e não uma criança.
Alívio e esperança...

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Coisas que dão gosto ver de monte

1. flores
2. botões de roupa coloridos
3. tinta
4. lápis de cor
5. novelos de lã e linha
6. jujuba
7. miçangas
8. caixinhas de chá
9. lego
10. retalhos de tecido

domingo, 4 de fevereiro de 2007

"Fragrâncias” que ativam o cérebro, precisamente o sistema límbico

Cachorro
Papel
Cloro
Leite de rosas
Chuva e terra molhada
Pipoca
Maresia
Roupa limpa
Consultório dentário
Incenso de massala
Tabaco
Guache
Batom velho
Chocolate
Ar-condionado
Lavanda
Frigoríficos e abatedouros
sabonete phebo
feijão recém-temperado
Salas de aula de jardim de infância
Asilos
Gasolina
Café
Resto de cerveja velho no copo
Pão na chapa
Grama cortada
Tintura de cabelo
Açúcar queimado
Supermercardo
Filtro solar
Desinfetante de eucalípito
Canjica
Tanjerina
Refeitórios
Lavanderia
Salão de Cabelereiro

Prazeres inofensivos

Estourar plástico bolha.
Afagar um cão.
Atravessar a baia de guanabara na varandinha da barca em manhãs frescas e ensolaradas
Dormir com roupas de cama limpas
Enfiar o braço inteiro num saco de 50 kgs de algum cereal, as lentilhas são as melhores...
Sentir, meio sonolenta, cheiro de café às seis da manhã.
Ver casais idosos de mãos dadas
Descer o morro do MAC de bicicleta
Tomar um pouco de sol depois do almoço
Dar e ouvir sonoras gargalhadas.

quarta-feira, 25 de outubro de 2006

A serenata, de Adélia Prado

Uma noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mãos incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no meio do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que exprobo
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios, eles serão os mesmos...
_ só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei se não for santa?

terça-feira, 24 de outubro de 2006

À Adélia, minha mais singela babação

Adélia Prado é genial...
Mastiga palavras com vontade de bolo de fubá...
Assim simples, assim doce...
A mim seus poemas soam belos e naturais como
os fonemas de meu nome saído da boca daqueles que amo.
Adélia, minha flor de maracujá, eu também quero um amor feinho.

Amor feinho, de Adélia Prado

Eu quero amor feinho.
Amor feinho não olha um pro outro.
Uma vez encontrado é igual fé,
não teologa mais.
Duro de forte o amor feinho é magro, doido por sexo
e filhos tem os quanto haja.
Planta beijos de três cores ao redor da casa
e saudade roxa e branca,
da comum e da dobrada.
Amor feinho é bom porque não fica velho.
Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é:
eu sou homem você é mulher.
Amor feinho não tem ilusão,
o que ele tem é esperança:
eu quero um amor feinho.